É tarde, é tarde, é tarde é muito tarde! Cale-se, Coelho! O tempo é meu! 


Estou atrasada 17 anos. Havia programado escrever um livro sobre mim e minhas percepções sobre os acontecimentos que, por ventura , provocassem -me a refletir e escrever. Sobre tudo que me desse vontade. Será tarde? Não há o que fazer sobre isto. Ah , o tempo! Escrevo agora porque estou num voo SP - Mendoza. Frio. Ar condicionado excessivo. Nada a ler. Nada a fazer. 

Sou a quarta filha de um casal de professores que teve cinco filhos. Quatro meninas e um menino. Hoje, 15 de março de 2024, somos só três. Nasci numa cidade que não conheço, Oswaldo Cruz. Nunca estive  lá. Nasci ali por circunstâncias de trabalho de meus pais. Lembro-me de um quintal cheio de folhas e a angústia de procurar o bico de uma bola colorida que ganhara de meus padrinhos. Quantos anos teria essa lembrança? Não sei precisar. Meus padrinhos eram amigos de meus pais e chamavam—se Raquel e Vitório. Lembro-me que certa vez fui visita-los em Santo André, onde moravam as irmãs de minha mãe, também professoras. Mas tenho lembranças vagas e imprecisas desse tempo. O cheiro e o gosto do leite que bebia bem devagar. O prazer do alimento morno, confortável. Ainda bebo assim, até hoje. Minha mãe contou-me que mamei o leite materno uns quatro meses. Que eu era calma e muito dormia. Que nasci às 7 h 30 min do dia 23 de março. Parto normal. O que é uma 4ª filha cuja expectativa era a vinda de um menino? Que para a felicidade de todos nasceu dois anos após. Minha mãe contava que tinha sido um dos seus melhores partos, pois se preparara por um método chamado psico-profilático. Algum dia ainda pesquiso sobre isto. 


Mendoza (MDZ - 25/3) Arg

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