Quando adolescente, lembro bem, vislumbravam-se, já, alguns objetos culturais de consumo. Seria o que hoje afirmam: “I must have”! Na minha infância, lembro bem que a TV veiculava propagandas de alguns brinquedos. Lembro-me deles. Minhas irmãs mais velhas ganharam bonecas que se chamavam Pierina. Meu sonho de consumo foi a boneca Beijoca. Como amei ganhá-la! E a Susi, a Pedrita, as primeiras Barbies, que eram importadas. Duas indústrias colocavam brinquedos no mercado: a Troll e a Estrela. Se havia outras eram de brinquedos mais específicos. Brinquedos com os quais as crianças desenvolviam a imaginação na interação. A própria criança criava contextos para se divertir. Essa imaginação exigia criatividade e sonho, com domínio das emoções. Lembro-me bem dos brinquedos que tive. Eles chegavam em datas especiais. Mas também em outros momentos: uma doença que obrigava o repouso, um prêmio merecido, dia de vacina… Mas na adolescência lembro-me de álbuns com frases de amor em figurinhas com um design que expressava uma transição entre a infância e a adolescência. Quem lembra? Por mais que se tratasse de um produto cultural de consumo traziam lições sobre o amor. Casaizinhos fofos ilustravam atitudes sobre o amor. Eram cromos autocolantes colecionáveis, criado por uma neozelandesa para seu futuro marido. Não todo amor, mas o amor entre um mocinho e uma mocinha. Inteligentemente desenhados para não ultrapassarem a margem do bom senso, apesar de muitas vezes aparecerem nus. Pensei: talvez, a autora  desses produtos poderia ter explorado outros tipos de amor. Teriam tido sucesso na época. O amor entre mãe e filha, o amor entre pai e filho, o amor entre mãe e filho…amor de avós e netos, o amor entre amigos, que as crianças denominam hoje como “bff”…Aí, houve um período em que o amor ficou brega, desgastado, com relações voláteis. O amor próprio da denominada sociedade líquida (conceito desenvolvido pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman para descrever a era contemporânea) a tal ponto de resumi-lo num apelo de frase vazia e fraca: Mais amor, por favor! Pichada em muros…com muito mau gosto! Se não me trai a memória, nos cadernos de questionários que circulavam entre os pré-adolescentes (digo “os” porque os meninos também participavam), havia a diretiva: Amar é… Adorávamos sermos escolhidos para responder. Hoje vemos posts que se assemelham a esta situação e, muitas pessoas replicam, expondo suas preferências. “Tudo muda o tempo todo no mundo”, “mas somos os mesmos como nossos pais”, rs. Para mim o amor é doação, é priorizar o outro, é fazer para o outro o melhor que se pode. O que eu tenho de melhor em mim para o outro. Não prive quem você ama de seus atos de amor. O amor não resiste a situações de egoísmo. Para você, que eu amo…o meu melhor. O meu melhor olhar, o meu melhor sorriso, o meu melhor carinho. Quer amor mais sem reservas que amor entre pais e filhos? O amor pelos filhos, então, penso eu ser a forma mais sublime de amar, deve superar quaisquer obstáculos de egoísmos: o amor não é malcriado, não procura seus interesses, não se irrita facilmente, não guarda mágoas. O amor não se alegra com o mal, mas alegra-se com a verdade. O amor aceita todas as coisas com paciência, tem sempre confiança e esperança, e se mantém sempre firme. O amor jamais acaba. Se é amor…é eterno. 

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